MULHER

Uma louca mulher me convidou para voar Por Manaoos Aristides

Hoje, andando pelas ruas de Curitiba, tive receio, mas não foi um medo qualquer, tive medo de que tudo estava terminado, tudo! Minha jornada nesse mundo acabaria num monte de cinzas. Meu destino era um encontro para um café de prosa no Paço da Liberdade (Praça Generoso Marques), coisa simples pela fuga que faço da boca maldita. De repente, ao atravessar a rua, observo uma criatura vindo em minha dire-ção, percebo que ela olha para mim. Quando chegou a uns passos à minha frente, vi seus olhos crescerem e, com uma explosão de luzes de todas as cores, me ofuscou violentamente. Não, não tente adivinhar. Tudo que posso pensar sobre, não existe. Em fração de segundo, descubro que, como covarde, sou incapaz de interpretar ta-manha alucinação. Era uma mulher, acho que era, mas seu vestido era longo e parecia ser da Columbia Pictures, com uma tocha de fogo na mão. Não, não tente adivinhar que droga tomei. Nem fumar mais eu fumo. Mas confesso que a explosão de medo que era me fez flutuar e aquele brilho de cores explodiu na minha frente. Fui abduzido, sim, percebi voar nos braços daquela mulher e quase batemos nas torres do relógio da catedral. Olho para baixo e vejo várias pessoas andando e atravessando a rua, somente um homem olhando para o alto e acompanhando as manobras que a deusa voadora fazia comigo. Aquele senhor era um jovem idoso, parecia familiar, notei pelos seus raros cabelos, estava vestido com uma camisa vermelha. Isso! Reconheci, era a minha camisa. Precisei me concentrar e não delirar para aceitar que o homem era “eu”. É assim que quero viver os últimos anos da vida, quero nos braços de uma mulher e encontrar o caminho que poderá me levar ao céu. Não quero perder tempo, quero olhar somente para frente e só se for necessário, para trás. Quero sim, olhar o mundo, e as pessoas que me fizeram sofrer e sorrir, perdoar e pedir perdão. Quero pouco espaço em vão e mais chão, quero perguntar muito mais e aceitar as dúvidas bem menos. Flutuar no espaço como bolhas de sabão que explodem nas mãos. Não quero sentir saudades, não é justo sentir saudades do que não passou. Esqueço todos os erros e vou tomar café no Paço da Liberdade, com um amigo. Se não aparecer, aguardo a deusa loira da Columbia Pictures que me leve para o Bar Baran. Uma cerveja no lugar do café poderá me ajudar a interpretar essa visão insana. Insana?

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