Aquela velha história, cada enxadada uma decepção. O correspondente da revista Veja no Paraná veiculou matéria que joga mais gasolina no já queimado, o político Carlos Alberto Richa. O ex-governador vem sendo bombardeado seguidamente pelas “coisinhas” estranhas ocorridas na sua gestão como governador. Ele é candidato ao Senado da República. Tudo depende da vontade popular. Será que os paranaenses vão dar de presente para Beto Richa um mandato de 8 anos como senador? Veja matéria da Veja.
Em vídeo, amigo de Beto Richa admite mesada a delator da Quadro Negro
Empresário Jorge Atherino, ligado à família do ex-governador do PR, é acusado de fazer pagamentos mensais a ex-diretor de secretaria da Educação
Por Guilherme VoitchPublicado em 6 jul 2018, 14h18Beto Richa – A PGR decidiu investigar o governador tucano no escândalo de corrupção da Receita paranaense (Ivan Pacheco/VEJA.com)
O empresário Jorge Atherino, amigo pessoal da família do ex-governador paranaense Beto Richa (PSDB), confirmou, em depoimento aos promotores responsáveis pela Operação Quadro Negro, ter feito repasses mensais em dinheiro ao engenheiro Maurício Fanini, ex-diretor da Secretaria da Educação. A operação investiga fraudes em licitações da pasta para construção de escolas.
Fanini está preso desde setembro do ano passado e é personagem central da operação. O engenheiro apresentou ao MP uma proposta de delação premiada na qual afirma ter repassado parte do dinheiro da propina arrecadada no esquema para Atherino, a mando de Richa.
Ainda na delação, Fanini afirma que, depois de ser demitido e com o avanço da investigação, ouviu do próprio governador que deveria pedir ajuda para o empresário. Segundo ele, Atherino, conhecido como “Grego”, pagou a ele uma espécie de mesada de até 12.000 reais, para “tê-lo na mão”. Em um dos pagamentos, segundo relato de Fanini , o genro de Atherino disse a ele para “ter calma” e “não fazer cagada”.
‘Ponto fraco’
No depoimento obtido por VEJA, o empresário confirma os repasses mensais ao engenheiro, mas diz que deu o dinheiro ao ex-diretor para que ele “ajeitasse a vida porque todos têm direito a uma segunda chance”. Ele nega, no entanto, que tenha dado dinheiro a Fanini a mando do governador ou de alguma pessoa ligada a ele.
“Um dia comentei com o Ezequias [Moreira, ex-secretário de Cerimonial e Relações Internacionais do governo] e ele só me olhou. Depois encontrei o governador e ele falou que eu não devia ter ajudado. Ele não gostou que eu ajudei.”
Segundo Aherino, Fanini o procurou quando a investigação da Quadro Negro já era conhecida na imprensa. O contato teria ocorrido em uma igreja de Curitiba. Na oportunidade, Fanini disse estar “desesperado e sem dinheiro para pagar o colégio dos filhos e o condomínio”. Aos promotores, ele disse que o pedido de Fanini pegou em seu “ponto fraco”, porque ele mesmo já havia passado por dificuldades financeiras quando suas contas foram bloqueadas para o pagamento de dívidas trabalhistas.
O empresário declarou ainda que não fez nenhuma pergunta sobre as denúncias contra Fanini, que naquele momento já era apontado na imprensa como sendo peça-chave de um esquema. “Fiz apenas uma exigência: que ele procurasse um padre amigo meu.” O empresário afirma que queria o”fortalecimento espiritual” de Fanini.
(Foto/ANPr)



