Era tudo o que Beto não queria. A juíza eleitoral Mayra Rocco Stainsack devolveu ao juiz federal Sérgio Moro o inquérito que apura se o ex-governador do Paraná e pré-candidato ao Senado, Beto Richa (PSDB), cometeu crimes no processo de licitação para a duplicação da PR-323. Os autos haviam sido enviados por Moro à Justiça Eleitoral em junho. De acordo com as investigações, Richa teria favorecido a Odebrecht em troca de pagamento, via caixa dois, de R$ 2,5 milhões. Ao encaminhar à Justiça Eleitoral, Moro pediu que o caso fosse devolvido a ele, para que a investigação de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e fraude à licitação continuassem. A medida colocou Betinho na lona.
Agora, outro grande problema é a sua candidatura ao senado da República. Desiludido com a governadora Cida Borghetti, leia-se Ricardo Barros, que não acatou o pedido do ex-governador para abortar os nomes de seus concorrentes, como foi o caso de Alex Canziani. Segundo o gazeteiro Fábio Campana, o ex-governador já não faz mais parte dos “acertos” da família Barros.
Quem prestou atenção à convenção conjunta de hoje do PROS e do PMB (foto), ambos da base de apoio à reeleição da governadora Cida Borghetti, do PP, percebeu que Beto Richa já não faz parte da chapa de coligação comandada pela governadora. Essa convenção de hoje que é prévia e parte da convenção que consolidará o nome de Cida como candidata de outros partidos, como o PP, o DEM e PSB, não pronunciou o nome de Beto Richa. Foram confirmadas apenas as candidaturas de Cida Borghetti para o governo e Alex Canziani para o Senado.
Dois fatores aceleraram o rompimento definitivo do PSDB de Beto Richa e a frente política que apoia Cida. O primeiro foi a insistência de Richa em ver Canziani fora da chapa, uma forma que lhe daria todo o tempo de televisão da campanha do Senado. Condição considerada inaceitável.
O segundo fator foi um acontecimento paralelo à convenção do PROS e PMB. No mesmo momento em que Cida Borghetti discursava como candidata ao governo, uma chusma considerável de tucanos participava da convenção de Ratinho Jr, do PSD. O deputado Ademar Traiano, presidente da Assembleia e principal condutor do tucanato no Paraná, lá estava a saudar o adversário de Cida, Ratinho Jr.
Foi demais para a governadora, que já reclamava de tucanos a fazer campanha adversária em todo o interior. Deu no que deu. Não tem mais aliança Cida e Beto Richa. De um lado Cida e Alex Canziani, de outro, correndo avulso e isolado, Beto Richa, que não teve guarida oficial em nenhuma das campanhas. Nem Ratinho Jr, do PSD, nem Osmar Dias, do PDT, admitiram sequer negociar uma composição com Beto Richa. E se estendermos a avaliação, nenhum de todos os demais pequenos partidos quis aceitar dobrada com o ex-governador.
Imaginem senhoras e senhoras, Beto Richa derrotado na corrida para o Senado da República? Aguardemos. (Foto/Arquivo/O Globo / Jorge William | Agência O Globo)


