A costura para alinhavar sua reeleição como presidente da Câmara Federal está trazendo algumas dores de cabeça para Rodrigo Maia. Ele acertou com o partido de Bolsonaro, o PSL. Em contrapartida, desagradou ao menos duas siglas que patrocinaram sua ascensão ao comando da Casa, informa a jornalista Daniela Lima, editora do Painel da Folha de São Paulo.
Segundo ela, ao acomodar a legenda de Jair Bolsonaro, ele ignorou pleitos do PP e do MDB –o primeiro, inclusive, reivindicava espaços ofertados ao PSL. Esses partidos, que vinham atuando de maneira dúbia, dizem que vão esperar para ver se a nova estrutura de apoio a Maia para de pé até fevereiro, na eleição.
A coluna da Folha dá conta ainda que a decisão do presidente do PSL, Luciano Bivar (PSL-PE), de fechar o apoio a Maia não encerrou as divisões que existem dentro do próprio partido e no novo governo. O democrata soube que, após o anúncio do acordo, o ministro Onyx Lorenzoni (Casa Civil) demonstrou irritação e deixou claro que não trabalhou por esse caminho.
Uma ala do PSL ainda resiste a Maia e diz que o acerto pode manchar a imagem da sigla. O problema é que havia risco de o partido ficar isolado e sem espaços na Mesa Diretora após o naufrágio da tentativa de criar um bloco de oposição ao democrata com PP, MDB, PSD e PTB.
Na esquerda, o acordo do PSL com Maia causou alarde. Integrantes do PC do B dizem que, agora, o democrata precisa trazer o PT para o seu bloco, ou será visto como governista.
Parte do PT, por sua vez, estuda lançar uma candidatura de oposição ao democrata. O PSOL decidiu apresentar o nome de Marcelo Freixo (RJ) para a disputa. Ele é adversário do clã Bolsonaro no Rio.
Nesse cenário, a negociação do PSL com Maia foi descrita como “um cavalo de pau”, fazendo com que ninguém descarte uma reação.
Procurado, Maia disse que seu acordo é com o PSL e não com o governo, e que o que ele busca é garantir um espaço aos partidos que compõem a Casa –inclusive PP e MDB. Ele afirmou ainda que não dá as conversas com essas siglas por encerradas.
O presidente da Câmara também diz que deixou claro à direção do PSL que trabalharia para trazer o PT para o seu bloco de apoio.


