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Entidades se manifestam contra as críticas difamatórias que vêm sendo feitas à juíza Fernanda Orsomarzo

O Conselho da Comunidade da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba – Órgão da Execução Penal vem acompanhando as manifestações com críticas à juíza Fernanda Orsomarzo por sua indicação para atuar na Central de Audiências de Custódia da Capital. A atuação da magistrada é questionada pelos detratores, que alegam que ela beneficia “bandidos”, informa o jornalista Ricardo Medeiros.

“Estamos acompanhando com preocupação as manifestações preconceituosas contra a juíza. Ela faz um trabalho exemplar e luta pela aplicação da lei”, afirma Isabel Kugler Mendes, presidente do Conselho da Comunidade da RMC.

O acirramento dos ânimos no Brasil nos últimos anos fez com que parte da população voltassem críticas, principalmente em redes sociais, a juízes considerados progressistas. Os magistrados são acusados de, ao cumprir a lei, estarem beneficiando bandidos ligados à facções criminosas.

“Esse tipo de ataque coloca em risco a democracia do país. O juiz que segue a legislação e concede uma progressão de pena, como estabelece a lei, não pode ser acusado de beneficiar bandido. As regras foram definidas e ele a segue tecnicamente. O Brasil não tem pena de morte nem prisão perpétua”, lembra a presidente do Conselho da Comunidade da RMC.

O Brasil ocupa atualmente a terceira posição no ranking dos países com maior população carcerária do mundo, ficando atrás da China e dos Estados Unidos. Mas, segundo pesquisadores, chineses e norte-americanos estão revendo suas políticas penitenciárias, o que pode fazer o Brasil ocupar o topo da lista nos próximos anos.

O encarceramento em massa faz o país ter cerca de 726 mil presos e uma taxa de ocupação nas prisões de 70%. Cerca de 34% dessa população atrás das grades é formada por presos provisórios, que ainda aguardam a decisão da Justiça sobre os crimes a que são acusados.

Para diminuir o clima de tensão vivido no sistema prisional em todo o território brasileiro, mutirões são realizados para dar andamento a processos. Obedecendo o que manda a Constituição, juízes se debruçam sobre cada caso e, seguindo o que determina a lei, analisam se os detentos têm direito à progressão das penas.

“O juiz segue requisitos objetivos estabelecidos pela legislação. Cada tipo de crime tem legislação própria. A norma redigida não tem perfil ideológico, de cor ou gênero. As regras de progressão são aplicadas para todos, desde que atendam o que é estabelecido. Não são relativizadas”, diz Isabel Kugler Mendes.

 

NOTA PÚBLICA DA AJD EM APOIO À JUÍZA FERNANDA ORSOMAZO

A Associação Juízes para a Democracia (AJD), entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem dentre seus objetivos estatutários o respeito aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, vem, diante da reportagem difamatória publicada no site “republicadecuritiba.com” contra a juíza Fernanda Orsomarzo, manifestar o integral e irrestrito apoio à magistrada.

Qualquer sociedade que se pretenda democrática tem como pilar do seu sistema de Justiça a independência judicial. A garantia está estampada tanto na Declaração Universal de Direitos Humanos e na Convenção Americana de Direitos Humanos quanto na Constituição Federal de 1988, e visa a proteção da sociedade e das\os  jurisdicionadas\os,  ao conferir-lhes o direito a um órgão julgador que decidirá sem amarras de pressões econômicas, políticas ou midiáticas. A liberdade de decisão do juiz é limitada tão somente pela necessidade de fundamentar suas decisões com base nas normas jurídicas.

Os ataques dirigidos à juíza Fernanda Orsomarzo, por meio dos textos covardemente apócrifos publicados no site acima referido, atingem não somente a magistrada, mas a própria garantia da independência judicial e por isso são repudiados.

A Associação Juízes para a Democracia defende que a Justiça deve ser um ambiente plural e de debate de ideias, de forma que a sociedade seja livre para opinar e criticar decisões judiciais. O que não pode ser admitido, porém, em uma sociedade democrática, é a utilização de mídias sociais para pressionar um juiz ou um Tribunal a decidir de determinada forma.

Existe uma razão constitucional para que os membros da magistratura não sejam eleitos pelo voto popular e esta razão é a liberdade para que esses possam decidir livremente, em especial quando suas decisões visam a proteção de grupos vulnerabilizados. Neste sentido, o Poder Judiciário possui uma função contramajoritária de fazer valer os direitos e garantias fundamentais previstos na Constituição, mesmo que em desacordo com a vontade de maioria.

A função contramajoritária do Poder Judiciário e, por consequência, a independência judicial que é sua garantia, tomam especial relevo no momento em que, de forma irresponsável, fomenta-se o intuitivismo desmedido e a banalização do encarceramento. É justamente quando a sociedade (ou pelo menos a fatia privilegiada desta) clama irrefletidamente por prisões a qualquer custo que o Poder Judiciário deve ser independente e livre para garantir a cada indivíduo o devido processo legal e, ainda que condenado, as garantias fundamentais inerentes à dignidade da pessoa humana.

É precisamente pelo exemplar exercício desta função que Fernanda Orsomarzo, juíza de direito titular da vara criminal e anexos da comarca de Ibaiti-PR, vem sofrendo as covardes agressões virtuais. A magistrada, que é conhecida pelo primoroso trabalho que realiza na condução de processos judiciais e acompanhamento de execuções criminais, o que, dentre outros reconhecimentos, rendeu-lhe a reportagem publicada em 23 de julho de 2018 no Jornal Gazeta do Povo intitulada “Um Judiciário que olha nos olhos”, notabilizou-se por decisões que, devidamente fundamentadas, garantem a realização de audiências de custódia; o regular direito à ampla defesa e contraditório no processo penal e, em especial, os direitos inerentes ao efetivo processo de ressocialização dos indivíduos em processo de execução da pena.

É vergonhosa a postura do sítio virtual, que publica texto sem autoria para atacar pessoalmente a magistrada, numa tentativa não somente de intimidar, mas de, através da divulgação sensacionalista de informações e insinuações inverídicas, atingir a sua honra, de forma que medidas de identificação dos sujeitos e responsabilização se fazem necessárias.

Por essas razões, a Associação Juízes para a Democracia (AJD) manifesta absoluto REPÚDIO a toda e qualquer forma de intimidação à atuação da magistrada Fernanda Orsomarzo, destacando sua importância no atual cenário de desmonte dos direitos e garantias do cidadão, como agente transformadora da caótica realidade que assola os presídios brasileiros e na implementação de um sistema de justiça humanizado. Ainda, externa APOIO à magistrada, lembrando que todo ataque à sua independência significa, em último grau, ataque à democracia e ao povo brasileiro.

São Paulo, 21 de fevereiro de 2019.

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Uma resposta

  1. Todo meu apoio a Juíza Fernanda Orspmarzo, que brilhantemente, humanamente tem dado mostra de comportamento cristão no trato dos excluídos, vítimas de toda falta de nesse país. Tenho certeza que sua balança se equilibra entre a lei e o fato sem perder de vista o ser humano.

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