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No país da delação, o que não falta é “coitadinho”. Apareceram tantos inocentes na delação da empreiteira OAS, que estão saindo pelo ladrão

Uma nova delação de funcionários da empreiteira OAS promete complicar a vida de políticos importantes do cenário nacional. As informações são do jornal O Globo , que teve acesso aos depoimentos que eram mantidos em sigilo, mas homologados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em março de 2018.

Os nomes dos delatados:

O ex-governadores José Serra (PSDB), Aécio Neves (PSDB), Fernando Pimentel (PT), Sérgio Cabral (MDB) e Jaques Wagner (PT), o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia, o ex-presidente da casa Eduardo Cunha, o ex-ministro Edison Lobão (MDB-MA), o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes e o ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União (TCU).

Segundo o documento, foram R$ 125 milhões em propinas e repasses de caixa dois para políticos entre os anos de 2010 e 2014. Foram 217 depoimentos de oito ex-funcionários do “Controladoria de Projetos Estruturados”, departamento clandestino da OAS.

Os delatores revelaram, além dos nomes dos políticos envolvidos, os detalhes do esquema de corrupção. Ao resumir o conteúdo dos depoimentos, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu providências ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava Jato.

Algumas das obras superfaturadas seriam estádios utilizados na Copa do Mundo de 2014, além da transposição do Rio São Francisco e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste. A operação seria comandada por José Adelmário Pinheiro, o Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS. O doleiro Alberto Youssef era um dos responsáveis por lavar o dinheiro dos esquemas.

“Nestes autos, há narrativa de diversos fatos que podem constituir infrações penais, dentre eles o pagamento de vantagens indevidas a parlamentares federais. Para facilitar a análise dos documentos coligidos e a definição de competência do Supremo Tribunal Federal ou de outros órgãos da jurisdição, segue o resumo de cada termo de declaração e da providência ora solicitada”, escreveu Raquel Dodge.

O conteúdo das delações poderá ser endossado e até aumentado nos próximos meses. Já condenado em nove processos da Lava Jato , com penas que somam 197 anos de prisão, Cabral deu o primeiro passo para se tornar delator da operação no final do ano passado . Apontado pela Lava Jato como chefe da organização criminosa que desviou milhões dos cofres públicos do Rio, Cabral está  preso já há mais de dois anos – atualmente, na cadeia de Bangu 8, zona oeste do Rio.

Apesar das condenações impostas pelos juízes Marcelo Bretas (Rio) e Sérgio Moro (Curitiba), o ex-governador nunca havia admitido ter cometido crime de corrupção. A admissão dos crimes cometidos é um dos fundamentos para um acordo de  delação premiada. Até agora, no máximo,  Sérgio Cabral  tinha reconhecido apenas ter usufruído de “sobras de campanha”, o chamado caixa dois.

Fonte: Último Segundo – iG @ https://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2019-02-27/delacao-oas.html

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