
O grupo de caminhoneiros em questão estava esperançoso com o julgamento, que era considerado uma data decisiva. Eles vinham negociando, sem sucesso, uma nova tabela com o governo após a anterior, que foi considerada de valores baixos pela categoria, ter sido suspensa em julho.
Segundo a coluna Painel S.A. da Folha, líderes da categoria procurados pela coluna tiveram opinião divergente sobre os próximos passos após a suspensão do julgamento.
Marconi França, líder de Recife, foi informado por telefone pelo ministro Tarcísio de Freitas da decisão de suspender a tabela e disse defender uma paralisação no próximo dia 4.
Ele diz acreditar que o adiamento ocorreu porque a tabela seria considerada constitucional pela corte.
“Acredito que o governo quer nos chamar para um acordo novamente. Mas não vai existir mais acordo coletivo. Vamos manter a pegada e dia 4 vamos amanhecer com o Brasil parado”, disse França.
A mudança de data do julgamento também movimentou grupos de WhatsApp de caminhoneiros, que voltaram a falar em paralisação.
Os caminhoneiros afirmam acreditar que o adiamento foi resultado de um pedido da AGU (Advocacia Geral da União), que negou à Folha ter feito qualquer solicitação ao tribunal.
Em gravação comentando o adiamento que circula no WhatsApp, o líder Dodô, apelido de Salvador Edmilson Carneiro, de Riachão do Jacuípe, no norte da Bahia, diz que o governo é falso e não merece confiança de ninguém.
Mesmo com o acirramento de ânimos, o fim das discussões com o governo não é unanimidade. Nelson Junior, o Carioca, de Barra Mansa (RJ), diz que o adiamento deve levar à retomada das negociações.
Segundo ele, julgamento saiu da pauta porque, muito provavelmente, a tabela seria considerada inconstitucional, o que revoltaria os caminhoneiros e poderia gerar uma greve
O STF ainda não tem previsão para uma nova data de julgamento.


