Bois criados na região amazônica atravessam longas viagens rodoviárias para serem abatidos em frigoríficos localizados a milhares de quilômetros, no Centro-Sul do país. São adquiridos por outras fazendas, que realizam a engorda final dos animais antes de vendê-los para indústrias exportadoras. Através delas, a carne brasileira alcança diversos mercados globais, incluindo grandes centros consumidores de países ricos.
As informações são do site Repórter Brasil.
Esta realidade é abordada no décimo segundo número do Monitor, o boletim jornalístico com análises setoriais e de cadeia produtiva da Repórter Brasil. A investigação, realizada em parceria com a organização Mighty Earth, aborda as relações entre a carne vendida por grandes varejistas nos Estados Unidos, Reino Unido e União Europeia com o desmatamento de florestas nativas no Brasil. Foram apurados exemplos de como, através dos chamados “fornecedores indiretos”, mesmo as carnes vendidas por abatedouros distantes das principais fronteiras agrícolas podem estar conectadas a crimes socioambientais não só na Amazônia, mas também no Pantanal e no Cerrado brasileiros.
Os fornecedores indiretos são as fazendas que não comercializam gado diretamente com os frigoríficos. Ao invés disso, criam animais apenas até uma certa idade, de onde eles são transferidos para outras propriedades rurais.
Por questões logísticas e também de regularização ambiental, é comum que as pastagens associadas a crimes como o desmatamento ilegal, a invasão de terras indígenas e o trabalho escravo atuem principalmente nesse nicho de mercado. Devido às lacunas de rastreabilidade do rebanho bovino no Brasil, estes animais, através das fazendas intermediárias, podem chegar até mesmo em industrias formalmente comprometidas em não adquirir gado associado a este tipo de crime.


