ciro JN 23 08 22

Checamos a entrevista de Ciro Gomes ao Jornal Nacional

As análises são publicadas à medida que as apurações, conduzidas por repórteres e editores, ficam prontas. A reportagem pode ser modificada nas horas seguintes ao programa para a inclusão de informações. Aos Fatos está aberto a contestações da assessoria de imprensa do candidato e registrará o outro lado caso necessário.

JORNAL NACIONAL

Boa noite! Nós estamos entrevistando nesta semana os candidatos à Presidência mais bem colocados na pesquisa Datafolha de intenção de voto divulgada no dia 28 de julho.

Pela ordem determinada em sorteio com a presença dos assessores dos partidos, Ciro Gomes do PDT é o entrevistado de hoje. Na quinta-feira será Luiz Inácio Lula da Silva do PT. E na sexta Simone Tebet do MDB. O candidato à reeleição Jair Bolsonaro do PL foi o entrevistado de ontem.

Em 40 minutos, nós vamos abordar os temas que marcam essas candidaturas. E o candidato vai ter ainda um minuto par a as considerações finais. Candidato Ciro Gomes, boa noite!

CIRO GOMES

Boa noite, Bonner, boa noite, Renata. Boa noite a todos.

JORNAL NACIONAL

Obrigada pela sua presença. O seu tempo começa a contar a partir de agora. A defesa da democracia e o apaziguamento do país têm sido temas centrais nessas eleições. O senhor mesmo tem criticado o clima de polarização entre os candidatos que estão à frente nas pesquisas, mas o senhor tem se referido a eles em termos bastante duros. Eu diria até em alguns casos ofensivos. É com esse discurso que o senhor pretende unir o país?

CIRO GOMES

Eu pretendo unir o Brasil ao redor de um projeto e esse projeto tem um diagnóstico.

Eu acho que o o Brasil vive hoje a mais grave crise. Se nós tomarmos em atenção os números do desemprego, da fome. Fome, fome, fome.

33 milhões de pessoas estão com fome.

VERDADEIRO

O número citado por Ciro Gomes está no 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, da Rede Penssan (Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar). Segundo a pesquisa, 33,1 milhões de pessoas têm insegurança alimentar grave no país, ou seja, passam fome. Os dados foram coletados entre novembro de 2021 e abril de 2022, a partir de entrevistas em 12.745 domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

Rede Penssan

Cento e vinte não fizeram as três refeições hoje.

E há pessoas e grupos políticos responsáveis por essa tragédia. E eu acho francamente que a maior ameaça à democracia é o fracasso dela na vida do povo. Mas eu vou me esforçar para unir o Brasil. A unir unir o Brasil, reconciliar o Brasil. O que não me parece a ver com tradição.

JORNAL NACIONAL

Esse é um tema que não é banal, é um tema extremamente importante pelo nível de polarização que nós temos enfrentado é importante atentar como governante, o eventual governante vai lidar com o contraditório, eventuais adversários. E eu volto a insistir na pergunta, o senhor tem se referido aos principais, outros candidatos que estão à frente nas pesquisas com termos bastante duros. Eu volto a lhe fazer a pergunta: esse discurso não agrava esse clima de polarização?

CIRO GOMES

Eu talvez deva levar em consideração sua pergunta, mas repare: a corrupção é praticada por pessoas, e o desastre econômico, o privilégio…

… que faz com que o Brasil tenha cinco pessoas acumulando a renda dos 100 milhões de nacionais, brasileiros mais pobres, de classe média.

VERDADEIRO

Ciro se refere aos dados divulgados em 2017 pela Oxfam Brasil, organização que estima a desigualdade de renda no país. O relatório, último dado público disponível, afirma que seis brasileiros tinham à época uma riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões mais pobres. Além disso, os 5% mais ricos detinham a mesma fatia de renda dos demais 95%. Em 2022, a Oxfam divulgou outro recorte: segundo o relatório “A Desigualdade Mata”, os 20 maiores bilionários do país têm mais riqueza (US$ 121 bilhões) do que 128 milhões de brasileiros (60% da população).

G1  Oxfam

É responsabilidade de pessoas e de grupos.

Elas tem que ser apontadas, indicadas, mas não olhando para trás. Olhando para frente. Porque a ciência da insanidade dizia o Einstein, talvez o maior cérebro da idade moderna, a ciência da insanidade é você repetir as mesmas coisas e esperar resultado diferente. Eu estou tentando mostrar ao povo brasileiro que essa polarização odienta, que eu não ajudei a construir, pelo contrário, eu estava lá em 2018 tentando advertir que as pessoas não podiam usar, vamos dizer, a promessa enganosa do Bolsonaro para repudiar a corrupção generalizada e o colapso econômico gravíssimo que foram produzidos pelo PT. Isso aconteceu no Brasil e agora está se tentando repetir uma espécie de 2018.

Portanto, a gente tem que denunciar isso, recompreendendo, respeitando, vou levar em consideração as suas ponderações, mas nós temos que ser duro, sabe? A corrupção é um flagelo no Brasil.

JORNAL NACIONAL

Estou me referindo especificamente aos termos usados. A gente é importante lembrar que hoje esses adversários tem juntos 79% das intenções de voto. Então, o senhor está dizendo aqui que reavalia esse discurso?

CIRO GOMES

Eu devo sempre reavaliar. Eu faço esse esforço de humildade permanentemente. Minha tarefa é reconciliar o Brasil. Deixa eu lhe explicar aqui. O Brasil tem hoje, como eu lhe falei, pessoas que estão passando fome numa conta de metade da população.

E eu tenho um programa, um programa de renda mínima com status constitucional que vai entrar como uma ferramenta da Previdência Social, ou seja, para nos proteger das manipulações de véspera da eleição. Para que eu viabilize isso, eu tenho que confrontar aqueles que mandaram no Brasil durante esses anos todos.

E às vezes, eu sim, eu sou, eu tenho, eu venho de uma tradição, vamos dizer do Nordeste, a nossa cultura política é palavrosa, digamos assim. Às vezes, no Sul, no Sudeste, as pessoas não entendem bem. Não me custa nada rever. Sabe? Certos temas e tal, especialmente na proporção em que meu sonho é reconciliar o Brasil.

JORNAL NACIONAL

O senhor trouxe à baila agora a economia. Então, o senhor falou até do programa de renda mínima, né? O governo atual aumentou o auxílio Brasil para R$ 600,00 só até dezembro. Esses R$ 200 a mais só até dezembro vão custar aí R$ 26 bilhões. O senhor me acionou, o senhor tem aí um plano de garantir uma renda mínima de R$ 1.000 para todas as famílias brasileiras de baixa renda e em caráter permanente. Como, candidato?

CIRO GOMES

Essa é uma boa pergunta porque eu peço às pessoas para me darem oportunidade numa, é cirotv.com.br . Ela vai estar no ar competindo com a Rede Globo a partir de sábado. Brincadeira, né? Mas eu quero explicar ali, né? Mas você me dá a oportunidade. Veja o que eu estou propondo é uma perna de um novo modelo previdenciário.

Então eu vou pegar o BPC (Benefício Prestação Continuada), a aposentadoria rural de muitos brasileiros que ainda remanescem, que não contribuíram no passado, o seguro desemprego. E pegar todos os programas de transferência, especialmente o novo Bolsa Família, que é o Auxílio Brasil, transformar em um direito previdenciário, constitucional. Ou seja, ninguém mais vai depender de político A, político B, eleição A, como está acontecendo. Ameaças e tentativas de manipular o sofrimento mais humilhado do nosso povo, das mães de família que estão vendo seus filhos dormir hoje com fome. Isso me dói o tempo todo. Essa é a minha história de vida.

E essa consolidação dá R$ 290 bilhões.

JORNAL NACIONAL

Essa conta fecha, candidato?

CIRO GOMES

Fecha porque eu vou agregar para fechar os R$ 297 bilhões dos recursos que já existem. Eu vou agregar um tributo sobre grandes fortunas apenas e tão somente sobre os patrimônios superiores a R$ 20 milhões.

Entenda bem, só 58 mil brasileiros têm um patrimônio superior a R$ 20 milhões.

CIRO GOMES

Eu fui governador do Ceará. O mais popular governador do Brasil.

VERDADEIRO

Uma pesquisa Datafolha divulgada em setembro de 1994 atribuiu a Ciro Gomes o mais alto índice de aprovação entre 12 governadores pesquisados. No levantamento, 74% dos entrevistados consideravam o seu governo no Ceará “ótimo” ou “bom”.

Folha de S.Paulo

O Brasil tem 3% da população do mundo e, no Brasil, morreram 11 a cada 100 pessoas [de Covid-19].

VERDADEIRO

A projeção do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) é que atualmente há cerca de 215 milhões de habitantes no Brasil. Ao considerar que a população mundial alcança 7,9 bilhões, o país possui aproximadamente 2,7% do total, próximo aos 3% citados por Ciro Gomes. Quanto aos óbitos causados pela Covid-19, dados registrados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) até esta terça-feira (23) indicam 6.451.016 mortes no mundo, das quais 682,5 mil no Brasil. A proporção, de 10,6%, também é próxima aos 11% citados pelo candidato do PDT.

IBGE  G1

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