Lula
Em conversa com Cauê Moura e Load no Desce a Letra, Lula reafirma compromisso com a educação: “Temos de pegar o mundo digital e formar milhares de engenheiros para que o Brasil dispute o mercado externo”
A esperança na construção de um país justo e comprometido com a soberania através da educação foi o centro da conversa entre o ex-presidente Lula e Cauê Moura e Load, jovens que apresentam o podcast Desce a Letra, na noite deste domingo (23). Em uma conversa descontraída, Lula tratou dos principais temas da conjuntura nacional, como a geração de empregos, a valorização do salário mínimo acima da inflação e os urgentes investimentos em educação e saúde para que o Brasil voltar ao trilho do desenvolvimento dos tempos em que foi presidente.
“Temos de despertar no povo as coisas que ele gosta de fazer, a vida não pode ser só sofrimento”, disse Lula. “Tem graça o cidadão nascer, passar a vida com fome, morando mal, comendo mal e morrer? Para ir pro céu? Não, queremos ir pro céu aqui, agora, no dia a dia”, argumentou. “Queremos comer, trabalhar, ganhar bem, nos vestir bem, as pessoas têm de parar com a mania de achar que pobre gosta de ser pobre, ninguém gosta. Ninguém quer ser peão de fábrica, todos querem uma profissão”.
“Quando criamos o Prouni e o Fies, foi uma coisa excepcional. É importante dizer o que é o significado da formação de milhões de jovens no país”, destacou, apontando a importância da educação, da creche à pós-graduação. “Temos de pegar o mundo digital, da internet, e formar milhares de engenheiros, para que o Brasil dispute com China, EUA. Não temos o direito de tirar a vontade das pessoas de sonhar, de acreditar, de ter esperança, esse é o mundo novo que temos de criar”, declarou.
Trabalho 2.0 e salário mínimo
Lula reafirmou a importância de se garantir aos trabalhadores jovens direitos, em especial quem trabalha com aplicativos. “Temos de discutir um sistema de seguridade ao jovem dos aplicativos. Do jeito que está, na hora que ele estiver em mau momento, está abandonado, ele nem conhece o patrão”, ponderou Lula. “Não queremos voltar a legislação antiga, quero me adaptar ao mundo de hoje, estabelecer uma nova relação, é preciso fazer um acordo”, sugeriu.
Lula lamentou o achamento salarial do piso mínimo imposto por Bolsonaro. “Ele está há quatro anos no governo, nunca deu aumento real de salário mínimo, não respeitou aposentados, pensionistas, 38 milhões de pessoas que ganham o salário mínimo, dos quais 22 milhões de aposentados e pessoas com deficiência que recebem o BPC”, acusou.
“Tenho orgulho de que, nos governos do PT, todo ano a gente fazia a reposição da inflação e dava um aumento baseado no crescimento do PIB dos últimos dois anos. Com isso aumentamos o salário mínimo em 74%, e voltaremos a fazer isso”, assegurou.
Mais propostas
Lula também detalhou que seu plano de governo inclui a renegociação das dívidas que atingem 80% das famílias brasileiras. “Vamos fazer uma renegociação com o setor varejista e o sistema financeiro para limparmos o nome dessas pessoas, queremos recuperar o direito de as pessoas andarem de cabeça erguida”, esclareceu.
“Também vamos isentar o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil”, observou Lula. “E e vamos isentar o mais pobre, temos de fazer uma política tributária para cobrar dos mais ricos. Quem tem mais, paga mais, quem tem menos, paga menos”.
Combate à fome
“Por que sou obrigado a falar das coisas do passado?”, indagou Lula.” Porque o Brasil hoje está pior do que quando eu deixei. Por que falo em acabar com a fome? Porque voltou, são 33 milhões de pessoas. Por que falo de emprego? Porque criamos 22 milhões de empregos com carteira assinada, hoje tem 12 milhões de desempregados, esse é o dilema. Hoje as pessoas fazem bico. Temos de fazer de novo, acabar com a fome, criar emprego, investir no Fies, no Prouni”.
“Não é difícil acabar com a fome se você tiver disposição”, insistiu o ex-presidente. “É preciso financiar a pequena e média agricultura que produzem alimentos e, depois, garantir que as pessoas tenham dinheiro para comprar aquele alimento. Tem de fazer a economia voltar a crescer, não tem outro jeito”.


