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Ratinho Júnior e a comunicação. O grande jornalista Valdir Cruz escreveu e postou nas redes sociais sobre o tema. OgazeteirO, com satisfação, compartilha
Se o governador vai bem na opinião pública – e as duas últimas eleições provaram que sim – isso é por mérito próprio e não um milagre de marqueteiros ou comunicadores de festa junina.
Simpático, simples e dono de uma conversa envolvente, Ratinho Júnior cativa qualquer um. Herdou o talento do pai e melhorou-o em diversos pontos. O principal, é uma argumentação consistentemente e com mais conteúdo.
Se o governador vai bem no cuidado com a própria imagem, sua comunicação oficial vai de mal a pior no trato da aparência do governo junto aos paranaenses. Falta gestão para pôr em prática e para manter a imagem do governo tão boa quanto à do governador.
Essa falta de gestão é perceptível nas entrevistas que Ratinho Júnior tem concedidas a diversos meios de comunicação no Paraná todo. O governador sequer recebe dados atualizados da região que visita ou dos problemas mais críticos do Estado.
Sem dúvidas, essa forma de atuação, longe de qualquer recomendação profissional, causa dissabores e stress. Isso se viu claramente no desmoronamento na BR 376. O governador apanhou, inclusive na mídia nacional, pela inação da Comunicação.
A situação só não é mais complicada porque, no Paraná, os meios de comunicação são muito dependentes das benesses dos cofres públicos.
Outro problema, é total falta de articulação da Comunicação com as demais secretarias e órgãos governamentais. Em entrevistas e na própria divulgação via assessoria de imprensa, há secretários e diretores que querem aparecer mais do que o governador.
Fazem de tudo para que as realizações sejam méritos deles. Mas não assumem os problemas, que são “terceirizados” com a equipe do Palácio Iguaçu.
Isso é resultado de uma comunicação sem um plano uniformizado de divulgação. Um plano que mostre Ratinho Júnior como o comandante e líder de todos os paranaenses. Mas essa liderança não tem encontrado eco nem entre os funcionários comissionados, que devem obedecê-lo cegamente.
Não raro, percebe-se ausência de governo em vários setores. E a comunicação nada faz para mudar essa percepção. Se faz, é algo burocrático, que se posta na Agência Estadual de Notícias. Isso não resolve o problema e não passa de um pretexto para se justificar diante de alguma cobrança.
Ratinho Júnior é o governador que mais se afastou da mídia e o que menos conhece pessoalmente jornalistas. Na Comunicação, trabalha-se no chute: “esse jornalista não interessa, ninguém lê mesmo”. “Esse é esquerdista”. “Esse não tem representatividade”. “Esse é só problema”. De onde tiram essas conclusões, ninguém sabe. Talvez do famoso instituto TMC!
O fato é que a comunicação do governador parou no tempo dos releases. Ou seja: está com uma defasagem de 30 anos. Hoje, a comunicação se dispersou em diferentes plataformas, principalmente na internet. Tem blogs e perfis nas redes sociais com mais audiência que muitas rádios e TVs.
Para a mídia paranaense, o secretário da comunicação, fosse o governo que fosse, sempre era uma espécie de fonte inesgotável de notícias. Tornou-se comum, em épocas não muito distantes, ver o secretário reunido ou recebendo grupos de jornalistas em almoço ou café, para um “social”, como se diz nas redações esse tipo de encontro com as principais fontes de informação.
Hoje não mais. Não é à toa que a enorme maioria dos jornalistas não saiba quem é o secretário da comunicação. Outro dia visitei uma redação e perguntei se alguém conhecia o “big boss” da divulgação do Palácio Iguaçu. A maioria disse não. Um único falou que era um catarinense, mas não sabia qual a formação dele. Se era jornalista, publicitário ou se tinha qualquer outro curso superior.
É uma situação que pode dar dor de cabeça para Ratinho Júnior a partir do ano que vem. Principalmente, se a ralação do governador com o presidente Lula for apenas protocolar.


