Os caras, de quatro em quatro anos, passam pelas suas cidades, apertam sua mãos, batem nas costas, distribuem sorrisos e escancaram que vão ser seu representante na Câmara Federal, mas depois de eleitos, primeiramente os interesses dos empreendimentos da família, em segundo,
a mesma coisa. São os verdadeiros “engambeladores” do eleitorado. Sobre o tema, o jornalista da sucursal da Folha de São Paulo, Bruno Boghossian, mostrou este descaramento legislativo. Segundo ele, a “bancada empresarial está com a produtividade em alta na Câmara. Sem pudores, deputados que são donos de negócios em seus estados tomaram as rédeas de projetos e emendas que beneficiam firmas de suas próprias famílias”.
A informação dá conta que o deputado Nelson Marquezelli (PTB) apresentou uma emenda que anistia multas aplicadas quando da greve dos caminhoneiros. O nobre parlamentar tem nada mais, nada menos, do que 120 caminhões que atendem à fabricante de cervejas Ambev.
Nesta linha, de lutar pelos interesses familiares, dois deputados do Paraná estão na lista daqueles que apresentam propostas legislativas exclusivamente para atender os negócios de suas famílias.
O emedebista João Arruda, relator da Lei de Licitações, luta de forma fervorosa para que na proposta esteja a exigência em que as empreiteiras são obrigadas contratar o seguro-garantia de 30% dos grandes contratos com o poder público. O “nosso representante” é sogro do dono da JMalucelli Seguradora. Este item não é de sua autoria, mas engloba geral a proposta.
O outro deputado que não deixou por menos e está dando uma ajuda para os negócios da família é o relator do projeto que flexibiliza o uso de agrotóxicos, Luiz Nishimori (PR) cuja família toca uma empresa agrícola que, no passado, vendia agrotóxicos.
Já o mineiro Newton Cardoso Jr. (MDB-MG) relatou e ajudou a aprovar um programa de refinanciamento de dívidas de contribuintes, no ano passado. Em seguida, aderiu ao parcelamento com duas empresas.
Por derradeiro o jornalista Bruno Boghossian fecha o texto noticiando que os deputados negam estar acertando algum benefício, contudo, deveriam seguir a regra de impedimento dos juízes. Basta recusar o comando e a relatoria de processos que podem render ganhos financeiros particulares — em geral, às custas dos cofres públicos.


