Violência contra a Mulher: Por Que 40% das Vítimas Fatais são Evangélicas?
Um dado alarmante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) tem levantado questionamentos importantes: 40% das mulheres assassinadas no Brasil são evangélicas. Essa estatística, apresentada por Karin Kepler Wondracek, psicóloga, psicanalista e doutora em teologia, em um texto para a Folha de S.Paulo, provoca uma reflexão profunda sobre a possível relação entre certos ensinamentos religiosos e a violência conjugal.
Karin Kepler Wondracek sugere que ensinamentos parciais, apresentados como bíblicos, podem inadvertently (sem querer) favorecer a violência contra a mulher. A questão central é: o que as igrejas estão ensinando a mulheres e homens que poderia estar contribuindo para o aumento da violência conjugal?
A discussão se conecta diretamente ao ciclo da violência doméstica, esquematizado pela psicóloga americana Lenore Walker em três fases:
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Fase 1: Aumento da Tensão e Agressões Leves
- O agressor demonstra irritação e hostilidade com pequenas coisas.
- A mulher se submete na tentativa de acalmar o parceiro, o que, ironicamente, reforça a agressividade dele.
- A vítima pode passar a acreditar que pode “controlar” o agressor através da submissão.
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Fase 2: Ato de Violência
- A tensão acumulada explode em atos de violência (física, psicológica, moral, patrimonial, sexual).
- A mulher, sentindo o perigo iminente, pode se retrair ou buscar ajuda externa, muitas vezes com vergonha e culpa.
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Fase 3: Arrependimento e “Lua de Mel”
- O agressor demonstra arrependimento, pede perdão e promete que os atos violentos não se repetirão.
- Este período de “lua de mel” faz a vítima esquecer os maus-tratos e acreditar na mudança do agressor.
- A vítima, muitas vezes pressionada pela sociedade ou por condições econômicas, mantém a relação, apagando para si mesma os sofrimentos anteriores. O ciclo, então, tende a se repetir.
A análise de Karin Kepler Wondracek sugere que a compreensão e a disseminação de interpretações religiosas que possam, mesmo que indiretamente, justificar ou naturalizar a submissão feminina, podem contribuir para perpetuar esse ciclo de violência em comunidades evangélicas. É fundamental que as instituições religiosas se engajem na discussão e promovam ensinamentos que combatam veementemente todas as formas de violência de gênero, incentivando a denúncia e o apoio às vítimas.
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