A informação é do jornalista João Fellet, em reportagem que ele assina para o site da BBC Brasil.
Segundo ele, a assessora do senador Magno Malta (PR-ES), Damares é fundadora do Movimento Atini – Voz Pela Vida, que diz ter como objetivo “prevenir o infanticídio junto às comunidades e profissionais atuantes em áreas indígenas”.
Desde 2015, a organização e sua entidade parceira Jocum (Jovens com uma Missão) estão sendo processadas pelos escritórios do Ministério Público Federal (MPF) no Distrito Federal e em Rondônia por divulgarem um filme encenado no qual crianças indígenas deficientes são supostamente enterradas vivas por parentes.
O filme, chamado Hakani, diz retratar uma “história verdadeira” encenada por “sobreviventes ou vítimas resgatadas de tentativas de infanticídio”.
No entanto, segundo o MPF, a encenação usou crianças e adultos da etnia karitiana, “povo que não tem a prática de infanticídio em sua cultura e que passou a sofrer diversas consequências negativas após o documentário, inclusive discriminação e preconceito”.
Além disso, o órgão diz que “o vídeo induz o espectador ao erro por fazer crer que o infanticídio é comum entre os indígenas”. O povo karitiana tem cerca de 300 integrantes e habita o Estado de Rondônia.
Em 2017, atendendo ao pedido do MPF-DF, a Justiça Federal do Distrito Federal determinou que o filme fosse retirado dos sites das organizações, mas rejeitou o pleito por uma indenização, alegando que as rés são entidades sem fins lucrativos.
A ação movida pelo MPF-RO ainda será julgada, segundo a assessoria de imprensa do órgão. Nela, a Procuradoria pede que os indígenas karitianas sejam indenizados em R$ 3 milhões por danos morais coletivos.


