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O urso e o dono do urso

O presidente Bolsonaro acaba de ganhar um urso. Acha que, pelo preço do bicho, é o dono dele. Mas talvez o urso, feliz por ter encontrado um lar tão agradável, se sinta o dono da casa. Pense no preço de alimentá-lo!

O texto é do jornalista Carlos Brickmann.

Imagine, caro leitor, que você esteja em casa, e de repente um urso abra a porta e entre na sala. Um urso amigável, fofinho, de seus, digamos, 400 kg. Onde é que você irá acomodar o urso?

A resposta é simples: onde o urso quiser.

O presidente Bolsonaro acaba de ganhar um urso. Acha que, pelo preço do bicho, é o dono dele. Mas talvez o urso, feliz por ter encontrado um lar tão agradável, se sinta o dono da casa. Pense no preço de alimentá-lo!

Bolsonaro teve uma grande vitória. Provou que a maioria do Congresso, do PT à direita não-bolsonarista, é conversável, sensível aos argumentos que um Governo tem condições de apresentar em grande volume. A folha corrida dos eleitos parece suficiente para barrar qualquer tentativa de impeachment; não parece provável que, dada a pródiga gentileza com que o presidente os recebeu, capaz de converter ferozes inimigos em prósperos amigos, deixem de lutar para evitar que o bem-estar da família presidencial seja perturbado.

O problema é que os ursos têm grande apetite. É preciso alimentá-los muito bem para que fiquem sossegados. Aquele urso bonzinho, lindo, fofo, perfumado, amigável, já sabe onde aquela família simpática vai buscar a boa alimentação a que está acostumado. Um urso faminto, irritado, pode ficar perigoso, criar problemas ao dono. E se, de repente, o urso achar que pode ser mais bem tratado pelos inimigos de sua atual família do que por ela?

 

 

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