(Atualizada às 09:10)
São muitas notícias e muitos problemas.
Aqui no Paraná, o Iapar e a Pesquisa Pública edita carta aberta destinada aos deputados paranaenses e à comunidade de todo o estado.
Veja abaixo:
A chamada segunda etapa da reforma administrativa proposta pelo governo do estado vai aniquilar o Iapar, a parte mais importante da pesquisa agropecuária pública paranaense. Espera-se muita serenidade por parte da Assembleia Legislativa em sua análise.
É difícil, vendo esse quadro, não lembrar o vibrante Paraná dos anos 1970. Em Londrina, particularmente, a reunião das faculdades e a criação de um centro de pesquisa agrícola eram temas dos mais discutidos, debate orquestrado por lideranças impulsionadoras de seu tempo, como Celso Garcia Cid, João Milanez, Francisco Sciarra e outros.
Nesse caldo, criou-se o Iapar – inicialmente pensado para a região Norte, mas ideia considerada tão boa que ganhou abrangência estadual e se tornou o único órgão público não universitário do Estado sediado no interior.
Seria possível listar uma enorme quantidade de produtos e serviços advindos da atuação do Iapar, mas isso seria menosprezar a capacidade cognitiva dos paranaenses que, de alguma forma interagem com o setor rural do estado. Quem afirmar desconhecer o papel que a pesquisa do Iapar teve e tem para a transformação qualitativa da Agricultura Paranaense ou é desonesto ou tem problemas cognitivos…
Meio século depois de sua fundação e com todo o acervo de conhecimento e inovação produzido, o Iapar se vê frente a uma proposta de ”fusão” com outras entidades públicas, com base em frágeis argumentos de “redução de custos” e “enxugamento da máquina pública”… A “fusão” torna-se uma “confusão” ao se pretender unir instituições diferenciadas em relação a objetivos, história e cultura como Iapar, Emater, Codapar e CPRA.
Cada uma dessas instituições pode e deve ser analisada individualmente com base nessas 3 vertentes: Objetivos, História e Cultura. A partir dessa análise, aí sim se elaborar propostas de continuidade, mudanças e até mesmo extinção de cada uma delas…
Para isso, no caso específico do Iapar, é preciso competência e conhecimento de áreas como Política e Gestão Públicas e Política e Gestão de Ciência, Tecnologia e Inovação. A aplicação de métodos simplistas de “redução de custos” ou “enxugamento da máquina pública” revela uma enorme falta de competência na formulação da proposta. Pretender “fundir” instituições diferenciadas com culturas fortemente estabelecidas é de um primarismo impressionante. E revela também uma grande falta de conhecimento sobre o que aconteceu em outros estados em que algo parecido foi feito, resultando praticamente na extinção da pesquisa de vanguarda e privilegiando a simples experimentação básica.
Faltou à proposta reconhecer que o cerne dos problemas de gestão enfrentados por órgãos como o Iapar, se encontra na burocracia engessadora da administração pública brasileira e que a condição essencial para ganhos significativos de eficiência e eficácia dependem da superação desse entrave e não de soluções “milagrosas” e mal embasadas como as dessa “proposta”…
Cabe, portanto, à Assembleia Legislativa do Paraná evitar que essa intenção equivocada se transforme em Lei e venha a minimizar as perspectivas de manutenção de uma Agricultura inovadora neste estado.


