A informação é do blog do jornalista José Pedriali.
Segundo o jornalista, um grupo de 26 entidades públicas e da sociedade civil de todas as regiões do Estado lançou na sexta-feira (30/08), na Câmara de Londrina, um manifesto contrário ao PL (Projeto de Lei) 594/2019, do governo do Paraná, que busca agrupar em um instituto único o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná), a Codapar (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná), a Emater (Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural) e o CPRA (Centro Paranaense de Referência em Agroecologia). O objetivo é evitar o esvaziamento do trabalho de pesquisa do Iapar e de extensão rural do Emater, que levou ao desenvolvimento do agronegócio principalmente para os pequenos e médios produtores, e buscar apoio de outras instituições e dos prefeitos de cidades paranaenses para ter apoio político junto ao governador Ratinho Junior (PSD).
Decidiu-se também reunir apoio de representantes dos poderes Executivo e do Legislativo de todo o Estado, por meio de entidades como Amepar (Associação dos Municípios do Médio Paranapanema) e Amunop (Associação dos Municípios do Norte do Paraná), entre outras.
Universidades públicas e privadas que formam profissionais do agronegócio também serão convidadas, como parte da defesa da importância da pesquisa para o Estado. “Esse movimento tem o ponto de partida na Câmara de Londrina, mas é um movimento do estado do Paraná. Várias outras regiões estão interessadas no tema, porque o Iapar tem 19 municípios com estações experimentais, polos e rede meteorológica, que também serão impactados”, disse o pesquisador do instituto Tiago Pellini.
Durante o debate, os deputados estaduais Requião Filho (PMDB), Tercílio Turini (PPS), Boca Aberta Junior (PRTB) e Tiago Amaral (PSB) falaram sobre as dificuldades em superar a base de Ratinho na Assembleia Legislativa, por mais que outros parlamentares concordassem com as críticas ao projeto de lei. Requião lembrou que a primeira fase da reforma administrativa foi retirada de pauta a pedido do próprio governador e que a segunda parte, que envolve a unificação dos órgãos ligados ao agronegócio, precisa ser melhor discutida. “O problema é que o governo só não aprova o projeto se resolver tirá-lo de pauta”, disse Turini.
O presidente da SRP (Sociedade Rural do Paraná), Antonio Sampaio, afirmou que o problema é que as respostas políticas têm sido lentas. “Liguei para o senador Álvaro Dias e ele disse que vai falar com governador, liguei para o Marcelo [Belinati, prefeito de Londrina] e para Zé do Carmo [prefeito de Cambé], que são simpáticos à ideia, apoiam e disseram que fariam o máximo possível para estar aqui, mas infelizmente acho que não conseguiram”, contou. “Temos de conter o avanço do projeto na Assembleia para que todas as entidades tenham tempo de se manifestar”, completou.
Críticas
As principais críticas sobre o PL 594/2019, que reúne os quatro órgãos e cria o Instituto do Desenvolvimento Rural do Paraná vinculado à SEAB (Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento), são sobre o risco de se esvaziar o financiamento à pesquisa agronômica, que já é considerado pequeno pelos pesquisadores. Ainda, a Codapar tem um grande passivo financeiro e representará um custo de R$ 72 milhões dentro da nova pasta criada, conforme relatório da própria Secretaria de Estado da Fazenda, que a FOLHA obteve e publicou na última terça-feira (27).
Todos que discursaram afirmaram que é consenso a necessidade de se reduzir custos da máquina pública, mas sem atingir o Iapar, que é grande responsável pelo desenvolvimento econômico do Estado. São mais de 200 cultivares lançadas e participação determinante na criação do banco de sementes de soja, hoje nas mãos da Embrapa, e nos avanços na produção de trigo, triticale, aveia, citros e de feijão no Estado.
Ex-presidente e um dos fundadores do Iapar, Florindo Dalberto afirmou que a forma de fusão será prejudicial à pesquisa e também à extensão rural. “Querem colocar juntas coisas de natureza completamente distintas, que devem ser geridas e tocadas de maneira especializada. É uma compreensão universal, que pesquisa e extensão têm o mesmo objetivo, de promover o desenvolvimento da agricultura neste caso, mas com metodologias, corpos científicos diferenciados.” (Fabio Gallotto- Folha de Londrina)


