Sabemos que “infidelidade” e “política” são termos que caminham juntos, de mãos dadas pela história. Os abraços de outrora, viram insultos, troca-se de lado e de partido como fosse aquela blusa surrada.
Em nosso querido Paraná, mesmo as figuras mais ilustres em cenário nacional, bispos, alazões, fortificadas torres, ao se sentirem em xeque, não têm dúvidas em deixar para trás quem sempre os protegeu, para alcançar a vitória no xadrez das eleições.
Contudo, o que não nos escapa enquanto seres humanos é a ingratidão pessoal. Na corrida para uma vaga no Senado da república, nosso mais veloz e famoso alazão, o “xerifão” de tempos atrás, o ex-tudo e mais um pouco, Sergio Moro, está com aspirações de nobreza. Deixa para trás, não só muitos que o ajudaram durante a partida, mas pretende tomar o lugar do rei que o acolheu no tabuleiro, lhe deu suporte, segurança, e mais, sempre esteve em sua retaguarda, para todas as ocasiões, o senador Alvaro Dias.
Xerifão, a peleja é necessária, mas é preciso combater os adversários e não os amigos. Mais uma jogada furada, assim, NÃO TEM CONDIÇÕES.
Com essa chuvinha de domingo, ao pensar neste assunto, nos veio à lembrança o poema de Augusto dos Anjos, Versos Íntimos:
Versos Íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de sua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


