Desenrola, bate e pague o reajuste. Essa é a reivindicação dos funcionários da Cohapar, que marcaram greve a partir do dia 2 de agosto. A manifestação cobra que a Companhia de habitação do Paraná pague os valores devidos.
Em junho, após assumir compromisso de pagar os salários atrasados de outros anos e negociar a data-base deste ano, a diretoria recuou da proposta, podendo promover o calotaço. O argumento é o período eleitoral, embora a legislação não proíba a reposição da inflação. A categoria reivindica o pagamento dos reajustes atrasados, da data-base deste ano e da defasagem do vale-alimentação. Antes da greve, está agendada uma mesa redonda no Ministério do Trabalho e Emprego para o dia 1 de agosto, às 9h00.
A promessa de pagamento dos atrasados relativos à convenção de trabalho aconteceu em 14 de junho. Na ocasião, um documento da Secretaria de Estado da Fazenda apresentado ao Sindassp e ao Senge-PR, que participam da negociação, sinalizava para a quitação dos reajustes pendentes ocorrendo em 24 parcelas, sendo estas corrigidas pelo INPC. O compromisso era pagar 11,9% atrasado. Mas, quebrando com o prometido: “a Sefa autorizou a implantação do reajuste de 8,9% na folha deste mês (junho)”, registra ata. Além da redução do índice, os valores retroativos não seriam honrados.
O pagamento proposto ainda deixava pendente outras demandas dos funcionários da Cohapar. Era devido 2,05%, referente a uma data-base da categoria, um percentual que está ajuizado, e 11,9%, referente a data-base de 2022. Outra pendência é a defasagem de seis anos do vale-alimentação.
Justificativas do recuo
A Cohapar recuou até dos insuficientes reajustes prometidos por conta do período eleitoral. Em um novo posicionamento, segundo a Companhia, a Secretaria de Fazenda e o Conselho de Controle das Empresas Estaduais só autorizaram pagar 8,9% referente a reajustes não implementados em outros anos.
A postura indignou os funcionários que aprovaram, no último dia 22 de julho, greve a partir de 2 de agosto. “O período eleitoral começou há poucos dias. O desrespeito não é de ontem”, questiona-se. Um dos fatores que quebraram a confiabilidade dos negociadores da Cohapar foi a empresa exigir que a convenção coletiva fosse assinada com o percentual de 11,9%, mas, depois, ter dito que só pagaria 8,9% e sem os retroativos.
A categoria reivindica o pagamento do vale-alimentação, defasado há 6 anos, o cumprimento imediato do reajuste da CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO 2020/2021 que soma 2,05%, como está na justiça, 11,90% que ainda não foram pagos e valores retroativos ao acordo de 8,9% de uma data-base, entre outros pontos.
Mediação pode ser o caminho
24 horas antes da paralisação uma rodada de mediação acontece no Ministério do Trabalho e Emprego. O intuito dessa reunião é fazer com que a Cohapar reajuste os salários e o vale alimentação em um cenário de inflação alta e perda de renda dos trabalhadores.


