Saiba como Leonaldo Paranhos transferiu empresas e movimentou R$ 54 milhões em seu último dia como prefeito de Cascavel - Foto: Arquivo/O Paraná
Saiba como Leonaldo Paranhos transferiu empresas e movimentou R$ 54 milhões em seu último dia como prefeito de Cascavel – Foto: Arquivo/O Paraná

Cascavel e Paraná  Leonaldo Paranhos transferiu para seu nome, no último dia como prefeito de Cascavel, empresas que movimentaram mais de R$ 54 milhões, segundo aponta denúncia e documentos públicos analisados pela reportagem, após autorizar aportes milionários concentrados nas semanas finais de sua gestão, conforme registrado nos contratos sociais (que são públicos), registros da Junta Comercial, balanços empresariais e alterações societárias analisados pela reportagem.

Documentos mostram que, em 30 de dezembro de 2024, ainda no exercício do mandato, Paranhos ingressou formalmente em empresas que haviam expandido patrimônio e volume de operações ao longo dos oito anos em que esteve à frente da Prefeitura, de acordo com os registros consultados. As movimentações envolvem, principalmente, as construtoras e incorporadoras Meu Viver, Vipar, FV Incorporadora e a Oeste Holding.

As informações constam da denúncia apresentada à DECCOR (Delegacia de Combate à Corrupção) pelo ex-deputado federal Evandro Roman, à qual a reportagem teve acesso. O documento foi elaborado a partir do cruzamento de dados abertos, registros comerciais, informações patrimoniais, documentos fiscais e balanços empresariais, que indicariam, segundo a denúncia, uma suposta concentração atípica de integralizações de capital e reorganização societária no período imediatamente anterior ao fim do mandato.

No fim da gestão

Entre novembro e dezembro de 2024, as empresas do grupo comandado por Paranhos realizaram uma série de aportes milionários em intervalo inferior a 45 dias, conforme os registros analisados. A Vipar recebeu integralizações que somaram R$ 4,42 milhões. Na sequência, a FV Incorporadora teve seu capital ampliado em mais R$ 1,815 milhão.

Parte desses recursos foi registrada em nome de Francielle Abcosti, funcionária de Vivian Paranhos, filha do ex-prefeito. Documentos indicam que Francielle realizou aportes superiores a R$ 1,29 milhão, segundo a denúncia, apesar de apresentar, até pouco tempo antes, histórico de baixa capacidade financeira e registros de negativação.

Para especialistas ouvidos pela reportagem, esse tipo de movimentação poderia sugerir, em tese, a utilização de sócios interpostos para viabilizar a reorganização patrimonial do grupo antes da entrada direta de Leonaldo Paranhos nas empresas, o que ainda é objeto de apuração.

Núcleo familiar

A análise dos contratos sociais revela que, antes da formalização da entrada de Leonaldo Paranhos, as empresas eram controladas majoritariamente por familiares e pessoas próximas ao ex-prefeito, conforme os documentos públicos consultados.

Além do próprio Paranhos, figuram como sócios e participantes Vivian Paranhos, filha de Leonaldo, que aparece como elo entre o núcleo familiar e a estrutura empresarial; Pedro Paranhos, filho do ex-prefeito, com participação societária em empresas do grupo; e Francielle Abcosti, funcionária de Vivian, responsável por aportes expressivos.

Esse arranjo permaneceu ativo durante os anos de mandato, período em que as empresas ampliaram significativamente seu volume de negócios, sobretudo no setor imobiliário e da construção civil em Cascavel, segundo dados societários.

Somente após o encerramento da gestão — e, formalmente, no último dia no cargo — Paranhos passou a figurar diretamente como sócio e administrador nas companhias.

Vale ressaltar que todas as informações publicadas sobre as denúncias envolvendo o ex-prefeito Leonaldo Paranhos têm como base documentos, denúncia formal e investigação em andamento, conduzida pela DECCOR, a partir de material protocolado pelo ex-deputado federal Evandro Roman.

Todos os citados na matéria foram procurados pela reportagem por meio de ligações telefônicas e mensagens de texto, porém não atenderam nem retornaram as mensagens.