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O verde que Bolsonaro quer deixar amarelo e cinza. Ex-diretor do INPE diz que Ministério do Meio Ambiente parou de ver alertas do Instituto. As consequências podem ser graves

O físico Ricardo Magnus Osório Galvão, 71 anos, deixou na sexta-feira (02/08) o comando do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). O instituto é a principal ferramenta do governo brasileiro para estudos de sensoriamento remoto – que são usados, entre outras coisas, para medir o desmatamento na Amazônia e outros biomas.

Em entrevista à BBC News Brasil, Galvão diz que a crise que culminou com sua demissão é fruto de um longo desgaste com o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) – o ministro chegou a anunciar que poderia contratar uma empresa privada para substituir o Inpe no monitoramento.

Para Galvão, afastar o Inpe das medições do desmatamento pode afetar “violentamente nossas exportações”. Isto porque há grande pressão de consumidores e governos de países desenvolvidos (como países europeus) contra produtos agrícolas que sejam produzidos às custas do desmatamento da Amazônia.

O ex-diretor disse ainda que o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, ignorou alertas feitos por ele desde janeiro deste ano, de que havia um problema de interlocução entre o Inpe e Salles.

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