Moro não pediu demissão, foi banido, escorraçado, defenestrado do governo. Resta saber como ele recebe a grana, o estipêndio, o seguro de cargo, o ‘pixuleco’ que exigiu ao entrar.
Se Moro (que ainda faz parte do governo até agora) tem provas suficientes para “impichar” Bolsonaro, estas provas também seriam suficientes para pô-lo (a ele, Moro) na cadeia.
Em sua coletiva à imprensa, na manhã de ontem (24), o ainda ministro da Justiça confessou ao Brasil.
Moro revelou que ele impôs, como exigência para assumir a pasta do Ministério da Justiça do governo Bolsonaro, uma condição que vinha mantendo, até então, em segredo, uma ilegal pensão para ele e para sua família por conta de ter de abandonar 22 anos de magistratura.
Ora!
Fui deputado estadual pelo Paraná, prefeito de Curitiba, três vezes governador do estado e duas vezes senador. Hoje conto com uma aposentadoria pelo INSS de R$ 2.700 ao mês. Bom mesmo, depois de todo esse trabalho, seria uma aposentadoria igual a que Bolsonaro e Heleno garantiram ao ex-juiz!
As provas que Moro diz ter já são suficientes para desencadear o impeachment de Bolsonaro e, em consequente efeito bumerangue, colocar o ex-juiz da Lava Jato na cadeia.
Moro acusou o presidente Bolsonaro de interferir nas investigações da Polícia Federal e de tentar influenciar em inquéritos no STF com o intuito de blindar seus filhos e interesses particulares, alheios aos interesses da República. Como resposta, Bolsonaro denunciou seu ex-ministro da Justiça de chantageá-lo por uma vaga no Supremo Tribunal Federal.
Quem participa do governo Bolsonaro não se diferencia dele em nada, quer seja militar, quer seja civil.
Moro é Bolsonaro, e Bolsonaro é Moro. É triste, mas é assim.
Sérgio Moro aprendeu que não vale a pena apoiar o fascismo. Isso só é interessante quando se é o fascista-mor, senão, rua.
Mas Bolsonaro e Moro é cara de um e focinho do outro: ‘assim como Moro interferia na Polícia Federal, evitando a soltura de Lula, o mesmo iria fazer Bolsonaro [interferir nas investigações na PF e no STF]’.
Moro, durante este ano e meio, foi parceiro inarredável de Bolsonaro e de todos absurdos cometidos pelo desgoverno. Não passou de tutor dos filhos malucos e mandalete do chefe.
ROBERTO REQUIÃO


