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Boi na linha. Presidente da Associação dos Delegados da PF diz que declarações de Sergio Moro, sobre as investigações de hackers a autoridades, são “impróprias” e geram “incômodo e estranhamento”

Nesta semana, após a PF prender quatro suspeitos de terem violado a privacidade de autoridades, entre elas o próprio Moro, o ministro deu diversas declarações indicando que teve acesso à investigação que corre em sigilo na PF.

“Fica muito estranho que um ministro saiba (conteúdo de) uma investigação porque coloca em xeque a autonomia do órgão, a autonomia da investigação, que é algo fundamental”, disse Paiva.

O ministro primeiro relacionou em seu Twitter as prisões com as conversas reveladas desde junho pelo site Intercept Brasil, envolvendo Moro e procuradores da Lava Jato, embora a polícia não tenha divulgado provas nesse sentido.

Nesta quinta, Moro contatou outras autoridades, como o presidente Jair Bolsonaro e os presidentes do Senado (Davi Alcolumbre) e Câmara (Rodrigo Maia) para informar que eles também foram alvo de hackers. Disse ainda a outro atingido, o presidente do Superior Tribunal de Justiça, João Otávio de Noronha, que o material com conversas “vai ser descartado para não devassar a intimidade de ninguém”.

Felix de Paiva ressalta que a Polícia Federal, embora esteja, do ponto de vista administrativo, subordinada ao Ministério da Justiça, tem autonomia de atuação e não pode comunicar ao ministro informações sigilosas.

“Não há possibilidade de uma ordem hierárquica do ministro da Justiça aos membros da Polícia Federal. (…) Então, quando ocorre esse tipo de manifestação, causa um incômodo, causa um certo estranhamento dos integrantes da Polícia Federal”, afirmou. “Foram (declarações) impróprias, foram desnecessárias.”

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