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A lembrança sobre essa identidade foi deveras muito bem lembrada pelo blog “Oisultodiário”, do jornalista Rogério Distéfano.
Veja:
Uma certa identidade
NA ARÁBIA SAUDITA, Jair Bolsonaro declara ter “certa identidade” com o príncipe regente Mohamad bin Salman. O príncipe é visto, até na ONU, como mandante do assassinato de Jamal Kashoggi, jornalista que lhe fazia oposição, morto no consulado saudita em Istambul quando lá compareceu para renovar o passaporte (a noiva o esperava do lado de fora, câmeras filmaram sua entrada e sua saída não foi vista nem documentada até hoje). Kashoggi desapareceu, seu cadáver não foi encontrado – suspeita-se que esquartejado ainda no consulado por funcionários sauditas cuja presença foi documentada no local.
Que identidade é esta entre Bolsonaro e o príncipe saudita? Podemos especular legitimamente a partir de um de tantos absurdos ofensivos do presidente do Brasil, aquele sobre o desaparecimento do pai do presidente da OAB durante a ditadura militar. Portanto, o problema deixa de ser a identidade. O problema é o certa. O que seria isso? A partir das recentes agressões às instituições da república, como a fábula do leão e das hienas, o certa seria que nosso presidente ainda não começou a fazer desaparecer nossos kashoggis. Portanto, a certa identidade com o autoritário e medieval príncipe saudita é aquela que aproxima os tiranos.


