Os fatos aconteceram no Colégio Pedro II, em São Cristóvão, Rio de Janeiro.
As informações são do jornal O Globo.
De acordo com o portal de notícias “G1”, a reitoria do colégio não foi comunicada sobre a visita dos parlamentares, e por isso chamou a Polícia Federal após afirmar que eles não tinham autorização para entrar no local. O reitor acompanhou a visita e os parlamentares começaram a tirar foto do que consideravam ter uma conotação política.
Em um vídeo obtido pelo portal de notícias, é possível identificar um momento da visita em que os deputados se deparam com um mural com a mensagem: “A cada 13 minutos um jovem negro morre”. Durante a conversa, o reitor da instituição, professor Oscar Halac, responde: “O número de morte está imenso no Rio de Janeiro”. Daniel Silveira, então, rebate: “De bandido”.
O diálogo prossegue, e Halac acrescenta: “Mas tem criança de oito anos que não pode ser bandido”. O deputado federal, então, questiona se a perícia já foi realizada. O reitor da institução pergunta: “Pra saber se ela é bandido?”. Silveira, por sua vez, responde: “Não, para saber se ela foi morta por policiais”.
O reitor afirmou, segundo o “G1”, que vai fazer uma representação nos conselhos de ética do Congresso Nacional e da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) pois eles estavam fazendo imagens sem autorização no local, com a presença de crianças.
Em nota, o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif) manifestou, em nota, total apoio ao Colégio Pedro II (CPII) e integral repúdio a quaisquer iniciativas que visem desestabilizar o funcionamento de instituições de ensino, incentivar a desconstrução dos valores éticos institucionais e/ou que expressem perseguição aos dirigentes públicos.
“Na manhã desta sexta-feira, 11/10, a comunidade do CPII foi surpreendida pela “vistoria” de deputados no campus de São Cristóvão, com a justificativa de que estariam em busca de subsídios para a destinação de emendas e de elementos com conotações políticas. A forma abrupta dessa visita, sem agendamento prévio, repercutiu negativamente na comunidade acadêmica, causando indignação e tumulto no colégio.
Diante de fatos dessa natureza, mais uma vez, os integrantes do Conif repudiam os constantes e generalizados ataques contra a autonomia das instituições públicas de ensino e contra os gestores, eleitos democraticamente e dedicados à promoção da educação pública, ética e cidadã”.
Já o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) disse que a visita ao colégio Pedro II foi para identificar as necessidades do colégio com objetivo de destinar emendas parlamentares que possam ajudar a escola. Segundo ele, um grupo de parlamentares foi procurado por funcionários da instituição que pediam ajuda para melhorar as instalações.
— Uma diretora nos recebeu e foi hostil dizendo que não podíamos entrar, o que é mentira. Podemos e devemos controlar qualquer órgão do Poder Executivo. Ele (o reitor) disse que nós não avisamos. Eu disse que se avisássemos, e caso houvesse alguma falha, o ato fiscalizador é pegar de repente alguma irregularidade, o que não é o caso. Era muito mais contributivo do que prejudicar a escola. Vieram alguns funcionários bastante hostis. Disse que não estava ali por ideologia, mas já que essa essa era a vertente deles começaríamos a fotografar e a filmar murais ideológicos. Não publicaremos foto nem vídeo nenhum de um adolescente. O crime não é filmar, é publicar. Se transformou em fiscalização porque eles não queriam nos deixar entrar — justificou o deputado Daniel Silveira.


